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Olho o telefone
Ele não toca…
Olho o futuro
Este sorrindo para mim…
Vejo o presente
E tenho de avançar
Para não cair com o chão que desaba

Olho pra você
E brilha um sol dentro de mim
Cada segundo que passa
Sinto-me certo, sinto-me errado
Já me cansei disto
Decidi não mais achar errado

Nossa trilha agora mostra-se com apenas um traço de pegadas
Você parece estar desistindo…
Mas eu não
Não posso…
Não há retorno para o caminho que escolhi
E agora que a noite está prestes a clarear
Dar lugar ao alvorecer
Não vou me atirar ao canteiro dos Espinhos
Não entregarei a razão às mãos dos que duvidaram de nós, não…

Pois cercam-nos uma multidão de testemunhas e elas nos acompanharam
Apedrejando, inquietas, mas também incertas, inseguras…
Seguindo-nos, a pretexto de causar a queda
Mas desejosos de conhecer até onde o homem consegue ir
Filhos da noite, do dia apenas conhecem rumores..

E eu irei
Ao encontro da Estrela do Amanhecer
Para que não só você mas também eles
Passem a crer
Que da noite é possível renascer

A mente humana, o subconsciente. Quando vemos alguém falar, agir, estamos vendo seu palco, expondo os artistas escolhidos e ensaiados pelo diretor, seu ser consciente, e que estão justamente ali para representar.

Mas bem o sabemos que por detrás de um figurino, atores e uma bela peça teatral, há os bastidores, que são de suma importância, donde são produzidos tudo que se vê.

Nos bastidores de nosso ser, atrás onde não vemos por estarmos muito preocupados com a plateia, encontram-se agentes que muito influenciam no espetáculo de nossa vida.

Um sorriso que não saiu, uma antipatia que surgiu, um olhar que não se pode evitar, a palavra que sobrou e não se conseguiu segurar. De onde vieram estas atitudes, por que tiveram força, ou por que não tivemos força para fazer o contrário?

Palavras e pensamentos que gravitam em nossa mente sem que as reconheçamos, as exteriorizemos, permanecem invisíveis mas não menos influentes no nosso comportamento. Grande dificuldade tem, aquele que não assume o que está sentindo, o que está pensando, o que está achando. Não apenas por não enxergar-se no mundo que o cerca, mas principalmente pela perda gradativa de si mesmo, dentro de seu universo pessoal.

As opiniões, que sobram, as pessoas ignorantes porém convictas, os malfeitores oportunistas, são sempre personagens que se aproveitam desta “desorganização” em nossos bastidores para entrar e fazer parte da peça, mudar sua história.

Sobram conflitos, escasseiam-se serenidade e paz. Como pode viver tranquilo alguém que não sabe o que se passa dentro de si mesmo? Que não entende suas atitudes e impulsos?

Caminhar sem entender determinadas circunstâncias é uma etapa normal da vida e chega a ser útil, no processo de amadurecimento do ser e sua vontade, mas a perda de seu próprio controle, o desalinho entre raciocínio e atitudes, são sintomas que alertam sobre a falta de coragem que tens tido em ouvir a ti mesmo, o pouco caso em saber o que se quer, e grande clarividência em reconhecer-se distante daquilo que seu ego estipulou como meta, como desafio.

O homem não precisa seguir seu ego para ser forte, sua força está contida na capacidade de gerenciar suas atitudes conforme deseja e sua sabedoria em direciona-las para o bem. Quantas coisas não estariam por trás das cortinas deste show, para que as cenas estejam tão diferentes do roteiro?

Não carregue sua boca cheia de água quente, você não precisa esconder o que sente, não precisa ocultar o que pensa, o mundo que te cerca precisa das suas manifestações para existir, para ser completo, rete-las será apenas adia-las para o momento inadequado.

Erga suas cortinas negras, estude e analise com seriedade todos aqueles que ali se ocultam aguardando o momento oportuno para roubarem a cena e tornar a peça um show de tristezas para seu autor e aos que tanto nela investiram para ser um maravilhoso espetáculo de felicidades.

 E você verá que sombras nada mais são que projeções 

Reflexão

O equilíbrio não provém da castração dos impulsos, mas do controle sobre eles, utilizando-os para dar vida às cores do ser. Um quadro elaborado com tonalidades mortas não será admirado tanto quanto outro que, apesar das luzes gritantes, soube combiná-las em um harmonioso degradê.

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