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Quem é este que me aponta
E ridiculariza?
Quem é este que vem e faz pouco de mim?

Há construido mais que eu?
Há ido mais longe que eu?
Há salvado mais pessoas que eu?

Então não ouse me criticar
Ou levantar tua voz contra mim
Nem me agredir

Pois eu sou o Amor
E você é todo o resto que sobrou.

Mas se eu te der o que você não semeou, não haverá justiça nisto
Não posso retribuir o que não recebi, estaria sendo falso
Algemar-me à dor, não é típico de um sentimento que liberta
Se apenas um de nós receber bons tratos, não há equilíbrio

Lamento, mas jamais lutarei por algo assim.

Sei que o fim não existe
Sei que por amor devem haver grandes esforços

Mas o amor não se oculta, não vive em entrelinhas
Não se mistura com medos, nem com estes negocia, a eles não se submete
Ele brilha forte e irradia
Cura chagas, não as complica

Pelo amor sei que vou viver
Mas por amor não posso me matar
Pois quando um dos dois se vai
O que há, já não pode mais ser chamado de amor

Isto não é um adeus
Mas soa como o som de uma porta se fechando
Atrás, para quem sai
Na frente, para quem desejar ficar

O tempo é sim, como o vento, trazendo respostas e soluções
Mas se este molda e transforma os montes
A incessante atividade e trabalho é o que os movimenta

Não, eu não vou morrer ao léu do vento frio
Aguardando que uma de suas folhas traga-me notícias a teu respeito

Continuarei buscando e lutando
No caminho que escolhi para mim e do qual você fez parte
Quem sabe assim eu consiga vislumbrar novas planícies
Donde eu possa amar
Sem nenhuma culpa ter que carregar
De a um ser, os meus mais nobres sentimentos dedicar

Imagine que algo essencial ao funcionamento do seu corpo inverte sua natureza e ao invés de fortificar, passa a contaminá-lo, causando-lhe destruição e prejuízos, como o sangue por exemplo, que está em toda parte do corpo e ao mesmo tempo que a qualidade deste se perde, imediatamente o corpo demonstra diversos sinais de fraqueza entre outras doenças.

Assim se faz também com os sentimentos, tão vitais à alma quanto o sangue o é para o corpo, quando enfraquecidos ou contaminados, haverá um processo de degradação do ser, que pouco a pouco desfalecerá em diversos problemas íntimos.

Conflitos, perversões, inversões de valores, comportamentos estranhos derivados do egocentrismo entre outras mil ramificações de atitudes poderão nascer desse desequilíbrio.

O que podemos fazer para proteger nossos sentimentos? Devemos estar sempre vigilantes com o que estamos fazendo deles.

Sentimentos são grande recurso de força, a usina do ser. O corpo pode carregar grande reservatório de carboidratos, ter músculos flexíveis e saudáveis, no entanto, se o mundo íntimo estiver abalado, o menor peso pode parecer o maior martírio, um obstáculo inamovível. Por eles nos movemos e para eles vivemos, construímos com os sentimentos.

Se investimos todo este poder na satisfação de nossos comezinhos interesses, aos poucos vamos perdendo sua nobreza, como o cobre entregue ao clima, esquecido de seu polimento diário, aos poucos se encontrará opaco e zinabreado, constrangendo-lhe grandemente o valor.

Dedicados a servir causas baixas, conquistar valores pobres, os sentimentos condicionam-nos a uma zona de entendimento inferior, compelindo-nos a grande trabalho de re-aprimoramento quando a luz da razão passa a iluminar melhor o comodo que nos encontramos intimamente.

Todos os dias recebemos oportunidades do Universo, da Vida, onde podemos, com esforço, investir, fortalecer o poder destes sentimentos. São geralmente em sua maioria, situações de renúncia, chamamentos em que passamos muito perto de não vê-los, por estarmos mergulhados na névoa criada pela combustão diária desses impulsos, e que quase não nos chamam atenção, por termos o foco desviado para outras zonas de interesse. Não nos importamos em perdê-las, fazemos pouco caso para dominar algo tão difícil, que mais parece ter sido feito para outra pessoa.

No entanto, nem sempre os dias são claros e os assentos confortáveis.

Quando atingidos e atordoados pelas crises da vida, lamentamos a perda das oportunidades e pré-visualizamos seu valor, damos conta do quanto nos preencheria, agora que nos encontramos desolados ao chão.

A conquista destas batalhas sem interesse é muito importante, pois ela desviciará nossos instintos, projetando-nos a novas zonas de pensamento e atitudes, como o pêndulo que finalmente se liberta de seu eixo, seu cárcere.

Com o tempo, aos poucos, o consumo destas oportunidades, a principio sem gosto, passa a tornar-se muito saboroso, tal qual quando consumimos uma fruta doce, após ter saboreado uma iguaria de sabor muito forte, não notaremos gosto algum, o que não significa que ela não tenha seu sabor e que nos direciona a um novo cardápio, desta vez mais leve e nutritivo.

 De alma fortalecida, estaremos em melhores condições para superar tempestades frias, invernos rigorosos de desprezo e solidão, sempre retirando o melhor possível destas grandes oportunidades que a vida faz passar em nossas janelas. Mas é preciso acreditar, confiar que se está realizando e investindo em sua própria força, em sua saúde espiritual, pois de outra forma, seremos eternos zumbis dedicados a conquista de medalhas da vida, sem proveito verdadeiro nenhum de suas grandes maratonas.

Sem a mudança de hábitos, não pode haver a mudança de resultados

Reflexão

O equilíbrio não provém da castração dos impulsos, mas do controle sobre eles, utilizando-os para dar vida às cores do ser. Um quadro elaborado com tonalidades mortas não será admirado tanto quanto outro que, apesar das luzes gritantes, soube combiná-las em um harmonioso degradê.

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