Imagine que algo essencial ao funcionamento do seu corpo inverte sua natureza e ao invés de fortificar, passa a contaminá-lo, causando-lhe destruição e prejuízos, como o sangue por exemplo, que está em toda parte do corpo e ao mesmo tempo que a qualidade deste se perde, imediatamente o corpo demonstra diversos sinais de fraqueza entre outras doenças.
Assim se faz também com os sentimentos, tão vitais à alma quanto o sangue o é para o corpo, quando enfraquecidos ou contaminados, haverá um processo de degradação do ser, que pouco a pouco desfalecerá em diversos problemas íntimos.
Conflitos, perversões, inversões de valores, comportamentos estranhos derivados do egocentrismo entre outras mil ramificações de atitudes poderão nascer desse desequilíbrio.
O que podemos fazer para proteger nossos sentimentos? Devemos estar sempre vigilantes com o que estamos fazendo deles.
Sentimentos são grande recurso de força, a usina do ser. O corpo pode carregar grande reservatório de carboidratos, ter músculos flexíveis e saudáveis, no entanto, se o mundo íntimo estiver abalado, o menor peso pode parecer o maior martírio, um obstáculo inamovível. Por eles nos movemos e para eles vivemos, construímos com os sentimentos.
Se investimos todo este poder na satisfação de nossos comezinhos interesses, aos poucos vamos perdendo sua nobreza, como o cobre entregue ao clima, esquecido de seu polimento diário, aos poucos se encontrará opaco e zinabreado, constrangendo-lhe grandemente o valor.
Dedicados a servir causas baixas, conquistar valores pobres, os sentimentos condicionam-nos a uma zona de entendimento inferior, compelindo-nos a grande trabalho de re-aprimoramento quando a luz da razão passa a iluminar melhor o comodo que nos encontramos intimamente.
Todos os dias recebemos oportunidades do Universo, da Vida, onde podemos, com esforço, investir, fortalecer o poder destes sentimentos. São geralmente em sua maioria, situações de renúncia, chamamentos em que passamos muito perto de não vê-los, por estarmos mergulhados na névoa criada pela combustão diária desses impulsos, e que quase não nos chamam atenção, por termos o foco desviado para outras zonas de interesse. Não nos importamos em perdê-las, fazemos pouco caso para dominar algo tão difícil, que mais parece ter sido feito para outra pessoa.
No entanto, nem sempre os dias são claros e os assentos confortáveis.
Quando atingidos e atordoados pelas crises da vida, lamentamos a perda das oportunidades e pré-visualizamos seu valor, damos conta do quanto nos preencheria, agora que nos encontramos desolados ao chão.
A conquista destas batalhas sem interesse é muito importante, pois ela desviciará nossos instintos, projetando-nos a novas zonas de pensamento e atitudes, como o pêndulo que finalmente se liberta de seu eixo, seu cárcere.
Com o tempo, aos poucos, o consumo destas oportunidades, a principio sem gosto, passa a tornar-se muito saboroso, tal qual quando consumimos uma fruta doce, após ter saboreado uma iguaria de sabor muito forte, não notaremos gosto algum, o que não significa que ela não tenha seu sabor e que nos direciona a um novo cardápio, desta vez mais leve e nutritivo.
De alma fortalecida, estaremos em melhores condições para superar tempestades frias, invernos rigorosos de desprezo e solidão, sempre retirando o melhor possível destas grandes oportunidades que a vida faz passar em nossas janelas. Mas é preciso acreditar, confiar que se está realizando e investindo em sua própria força, em sua saúde espiritual, pois de outra forma, seremos eternos zumbis dedicados a conquista de medalhas da vida, sem proveito verdadeiro nenhum de suas grandes maratonas.
Sem a mudança de hábitos, não pode haver a mudança de resultados

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